Na vitrine, lado a lado, viola e violino parecem o mesmo instrumento em dois tamanhos: cinco, seis centímetros de diferença no corpo. Mas basta o arco tocar a corda mais grave da viola para a semelhança acabar: um Dó escuro e encorpado, que o violino não tem. Para quem começa a estudar, ou para o pai que vai comprar o primeiro instrumento, a pergunta "viola ou violino?" decide o repertório, o lugar na orquestra e até o jeito de ler música.
Cinco centímetros que mudam tudo
O violino adulto tem tamanho praticamente fixo: o corpo de um 4/4 mede cerca de 35,5 cm, medida a que gerações de construtores chegaram por tentativa e erro.
A viola nunca teve essa estabilidade. "As violas, por outro lado, não têm comprimento padrão", resume o violista americano Miles Hoffman (tradução livre). A British Viola Society descreve instrumentos de 38 cm (15 polegadas) até, ocasionalmente, 45,7 cm (18 polegadas), com as violas médias entre 40,6 e 42 cm; a Orquestra Filarmônica Real de Liège, na Bélgica, dá a mesma faixa, com a maioria das violas modernas entre 41 e 42 cm.
Por isso, o tamanho de uma viola vem sempre junto com o nome: 15,5", 16", 16,5". E o número não conta tudo: duas violas com o mesmo fundo podem ter braços que diferem em 10 mm, e uma viola de 15,5" pode ter corda mais longa que uma de 16,25", lembra a associação britânica.
Uma quinta abaixo, e outra clave
O violino é afinado, do grave para o agudo, em Sol–Ré–Lá–Mi; a viola, em Dó–Sol–Ré–Lá, uma quinta abaixo do violino e uma oitava acima do violoncelo. Três cordas são as mesmas nos dois instrumentos; a viola troca o Mi agudo pelo Dó grave, que dá ao instrumento a sua cor.
O que mais assusta quem vem do violino é a leitura: a música para viola é escrita na clave de dó na terceira linha, a clave de alto (em francês, a viola se chama alto), em que a linha do meio da pauta é o Dó central. Os dedos e os sons são familiares; a posição das notas na pauta muda.
| Violino | Viola | |
|---|---|---|
| Corpo (comprimento do fundo) | cerca de 35,5 cm, padronizado | sem padrão; em geral de 38 a 45 cm, mais comum entre 41 e 42 cm |
| Afinação | Sol–Ré–Lá–Mi | Dó–Sol–Ré–Lá |
| Clave | clave de sol | clave de dó na 3ª linha (sol nos trechos agudos) |
| Corda exclusiva | Mi, a mais aguda | Dó, a mais grave |
| Na orquestra sinfônica | cerca de 30 (1º e 2º violinos) | cerca de 12 |
| No quarteto de cordas | dois | uma |
| Para o corpo de quem toca | mais leve, dedos mais juntos | mais pesada, dedos mais abertos, mais peso no arco |
A voz do meio
Pelas contas da acústica, a viola é pequena para a afinação que tem, e dessa tensão nasce o seu timbre: mais velado e mais escuro que o do violino, menos brilhante no agudo. Hector Berlioz ouvia nas cordas graves um som de força particular e, nas agudas, uma expressão triste e apaixonada.
“De todos os instrumentos da orquestra, aquele cujas excelentes qualidades foram por mais tempo desconhecidas é a viola.”
Hector Berlioz, Grand traité d'instrumentation et d'orchestration modernes, 1844 (tradução livre)
Na orquestra, a viola mora no meio da harmonia, entre a melodia dos violinos e o grave dos violoncelos e contrabaixos. No quarteto de cordas, ela é a única voz do seu registro.
A viola nasceu grande, entre Cremona e Brescia
A viola não é uma versão aumentada do violino que surgiu depois dele. As duas nasceram juntas, na oficina de Andrea Amati, o cremonense que fixou o desenho da família do violino. A viola "Charles IX", de cerca de 1564, atribuída a ele, tem 46,9 cm de fundo: uma viola tenor, maior que quase todas as tocadas hoje. Em Brescia, Gasparo da Salò também construía na grande forma tenor, e a maioria de suas violas foi reduzida mais tarde para caber nas mãos de músicos modernos; seu aluno Giovanni Paolo Maggini deixou uma viola de 41 cm, já do tipo menor. As violas menores, as contraltos, se impuseram à medida que as vozes intermediárias ficaram difíceis de tocar. A viola começou grande e foi encontrando o tamanho do corpo humano: a variedade de medidas de hoje vem daí.
Os violistas que tiraram a viola da sombra
Durante muito tempo, a viola foi o instrumento de quem preenchia a harmonia. A virada veio com intérpretes que recusaram esse papel, como o inglês Lionel Tertis (1876–1975), que trocou o violino pela viola aos 19 anos e aprendeu sozinho: não havia pedagogos para a viola, lembrou em suas memórias.
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1834
Harold en Italie, de Berlioz, nasce de um pedido de Paganini, que acabara de comprar uma viola Stradivari, e estreia em Paris.
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1929
Concerto de Walton, pensado para Tertis, que de início o recusou. Quem o estreia, em Londres, é o alemão Paul Hindemith.
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1949
Concerto de Bartók: o escocês William Primrose estreia a obra que Bartók deixou inacabada, orquestrada em grande parte por Tibor Serly.
Tabea Zimmermann, que começou na viola aos três anos, resume o que separa os dois instrumentos.
“Há diferenças sutis, mas decisivas, entre a técnica no violino e na viola.”
Tabea ZimmermannViolista, professora da Hochschule für Musik "Hanns Eisler", Berlim, em entrevista a The Strad, 2003 (tradução livre)
O instrumento que falta
Numa sinfônica típica, para cada viola há mais de dois violinos.
A pedagoga Mimi Butler, na revista The Strad, conta que muitas vezes passou alunos do violino para a viola porque eles queriam ser necessários, e não mais um num grupo grande; e observa que costuma ser mais fácil entrar numa orquestra jovem ou regional tocando viola.
Na orquestra, o violino é um entre trinta. A viola é uma entre doze, e cada uma faz falta.
Para quem já toca violino, a passagem não apaga nada do que foi aprendido: Tertis estudava violino havia poucos anos quando trocou. O que muda é o gesto: Butler cita a abertura maior entre os dedos, o peso do instrumento, que pede força nos primeiros meses, e um som construído com mais peso e velocidade de arco. São as diferenças sutis e decisivas de que fala Zimmermann.
Violino ou viola: como decidir
Não existe instrumento "mais fácil". Existe o que combina com o ouvido, o corpo e o desejo de quem vai estudar.
Violino faz mais sentido se
- o aluno se encanta com o agudo, o brilho e a melodia;
- o sonho é o grande repertório solista, de Bach a Paganini;
- a criança ainda vai trocar de tamanho algumas vezes: a escala do violino é padronizada;
- a mão é pequena e os dedos, curtos.
Viola faz mais sentido se
- o som grave e quente toca mais fundo do que o brilho;
- o prazer está em tocar em grupo, na orquestra e na música de câmara;
- braços longos e mãos grandes ficam apertados no violino;
- o violinista quer uma nova voz sem abandonar a técnica que já tem.
Como encontrar o tamanho certo da viola
- Comece pelo braço esquerdo. Fundo mais braço do instrumento: a soma diz quanto o braço esquerdo vai se estender.
- Olhe o comprimento de corda. O trecho que vibra, da pestana ao cavalete, define a abertura entre os dedos; dedos curtos pedem corda mais curta, e as polegadas não garantem isso.
- Observe o ombro. Segundo a British Viola Society, quanto mais o braço sobe para alcançar o instrumento, mais tensão no bíceps.
- Toque antes de decidir. Nenhuma medida revela peso, conforto, resposta ao arco e som.
- Confira as cordas. Cordas de viola têm faixas de tamanho; as Thomastik Alphayue servem a violas de 15" a 16,5".
“É difícil encontrar uma viola pequena com um som grande.”
Miles HoffmanViolista e comentarista musical, South Carolina Public Radio (tradução livre)
Dica do Luthier
No atelier, o teste começa sem arco. Com a viola em posição, a mão esquerda deve chegar à primeira posição com o cotovelo ainda levemente dobrado, e os dedos devem cair nas notas sem esticar a mão. Na dúvida entre dois tamanhos, fique com o menor que ainda soe cheio na corda Dó, e traga o professor para ouvir junto.
Na bancada do atelier
Na Casa dos Violinos, as violas de estudo Armonia e Virtuosa têm 16,5" (42 cm), dentro da faixa média da British Viola Society, e saem da bancada ajustadas pelo Luthier Fernando Fagundes, com cavalete francês Despiau, alma em abeto e cordas Thomastik. As autorais Fratelli Amati e Giovanni Paolo Maggini levam a assinatura do Luthier, formado no Istituto d'Istruzione Superiore "Antonio Stradivari", em Cremona.

- Teste viola e violino no mesmo dia, de preferência com o professor.
- Toque a corda Dó em notas longas: ela revela a viola mais do que qualquer medida.
- Pergunte o comprimento de fundo e o de corda, não só o "tamanho".
- Com a viola em posição, a mão deve chegar à primeira posição com o cotovelo levemente dobrado.
- Confira se as cordas montadas correspondem ao tamanho do instrumento.
Se a dúvida continuar, ela se resolve com o instrumento nas mãos: venha experimentar os dois no atelier, ou fale com a gente antes da visita.
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Fontes e leituras
- Understanding viola size — British Viola Society (Reino Unido)
- Mon alto, ce héros — Orchestre Philharmonique Royal de Liège (Bélgica), 2019
- Andrea Amati, Cremona, c. 1564, the "Charles IX" (viola) — Tarisio, Cozio Archive
- Salo, Gaspar da — Bromptons (Londres)
- Viola, Giovanni Paolo Maggini, Brescia, início do século XVII — Oesterreichische Nationalbank (Áustria)
- Building a Family Dynasty: Three Generations of Amati Luthiers — Philip J. Kass, The Metropolitan Museum of Art, 2015
- Viola, Benjamin Banks, 1791 — The Metropolitan Museum of Art
- L'alto à travers l'histoire — Tristan Labouret, Bachtrack, 2019
- Berlioz, Harold en Italie — Music4Viola
- Tabea Zimmermann on technique, teaching and competitions — Carlos María Solare, The Strad, 2003
- Tabea Zimmermann, biografia — Ernst von Siemens Musikstiftung (Suíça), 2020
- The life and recordings of viola player Lionel Tertis — Tully Potter, Gramophone, 2025
- Walton's Viola Concerto — Julian Haylock, BBC Music Magazine, 2023
- Bartók, Viola Concerto (ed. Serly) — Boosey & Hawkes
- Teaching tips: students switching instruments — Mimi Butler, The Strad, 2006
- The Evolution of the Orchestra: Strings — Katherine Buzard, WFMT, 2025
- Violin and Viola Sizes — Miles Hoffman, South Carolina Public Radio